Mal começou o ano e eu percebi que há exatos 12 meses eu estava melhor: em melhor forma, com mais dinheiro, mais produtivo; para completar, acordei com uma lesão que tornará mais difícil atingir meu objetivo para uma maratona na segunda metade do ano. Mesmo assim, por algum motivo, nada disso me impediu de começar 2024 cheio de gratidão e otimismo. Por quê?
Quem nunca internalizou aqueles versos natalinos que diziam "quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz"? A comparação, seja com os outros ou consigo mesmo, faz parte, bem como o arrependimento. Porém, meu sentimento foi outro. Não há nostalgia ou frustração, mas uma gratidão profunda por ter o suficiente. Saúde suficiente para me recuperar, capacidade suficiente para trabalhar, e mesmo que os interpéries não acabem, sobrará o suficiente daquilo que me faz feliz.
Eu não imaginava que a maturidade fosse colocar tantas coisas em perspectiva, e acredito que seja essa perspectiva que gerou tamanha gratidão pelo presente, saber que no pior do pior dos casos, você ainda estará munido dos elementos básicos que compôem a sua felicidade. Mas e o otimismo?
A princípio pensei que seria fácil justificar o otimismo quando se está numa situação pior do que já esteve no passado, ou ainda, que ser otimista seria nosso estado natural enquanto seres humanos obstinados. Então fui lá olhar no dicionário e "otimismo é a disposição para encarar as coisas pelo seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável, mesmo em situações muito difíceis". Esperar? Não é exatamente como me sinto.
Esse otimismo ao qual me refiro não é algo relativo, expressado na linha do tempo em comparação a um passado diferente ou futuro que desejamos, deve haver algo mais. Continuei lendo: "Uma posição pessoal otimista é fortemente vinculada à autoestima, ao bem-estar psicológico e à saúde física e mental.". É isso, então é daí que vem meu otimismo. Não é uma sensação de "tudo ficará bem", mas sim um "você é capaz, está tudo bem". Me sinto otimista por acreditar que o presente seja majoritariamente bom, e se o presente é bom, que diferença faz como as coisas foram ou como serão? Por que não embarcar nesse momento e vivê-lo com o máximo das minhas capacidades atuais?
Claro, é bem provável que a ausência de problemas maiores colabore para esse começo zen, mas a conclusão que eu chego é que ao eliminar as comparações, expectativas, e deixar de relativizar o momento, os sentimentos que sobram são muito mais genuínos e nos permitem viver de acordo com aquilo que realmente somos. Sabe aquela pessoa estressada, histérica, problemática? Talvez ela não seja exatamente o que aparenta ser, e se tiver forças para retirar um ou mais pianos de suas costas, quem sabe o que sobra também seja um sentimento bom em relação ao cotidiano.
Cabe aqui uma reflexão sobre quanto os sentimentos do dia a dia são motivados por aquilo que não está no presente, e como poderíamos ser pessoas melhores, ou ao menos mais verdadeiras, sem a nuvem do tempo pairando sobre nossas cabeças. Viver nunca será um mar de rosas, mas viver concentrado nos desafios de um único dia, pode tornar sua experiência muito mais prazerosa.
Obrigado pela leitura e feliz 2024.
Quem nunca internalizou aqueles versos natalinos que diziam "quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz"? A comparação, seja com os outros ou consigo mesmo, faz parte, bem como o arrependimento. Porém, meu sentimento foi outro. Não há nostalgia ou frustração, mas uma gratidão profunda por ter o suficiente. Saúde suficiente para me recuperar, capacidade suficiente para trabalhar, e mesmo que os interpéries não acabem, sobrará o suficiente daquilo que me faz feliz.
Eu não imaginava que a maturidade fosse colocar tantas coisas em perspectiva, e acredito que seja essa perspectiva que gerou tamanha gratidão pelo presente, saber que no pior do pior dos casos, você ainda estará munido dos elementos básicos que compôem a sua felicidade. Mas e o otimismo?
A princípio pensei que seria fácil justificar o otimismo quando se está numa situação pior do que já esteve no passado, ou ainda, que ser otimista seria nosso estado natural enquanto seres humanos obstinados. Então fui lá olhar no dicionário e "otimismo é a disposição para encarar as coisas pelo seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável, mesmo em situações muito difíceis". Esperar? Não é exatamente como me sinto.
Esse otimismo ao qual me refiro não é algo relativo, expressado na linha do tempo em comparação a um passado diferente ou futuro que desejamos, deve haver algo mais. Continuei lendo: "Uma posição pessoal otimista é fortemente vinculada à autoestima, ao bem-estar psicológico e à saúde física e mental.". É isso, então é daí que vem meu otimismo. Não é uma sensação de "tudo ficará bem", mas sim um "você é capaz, está tudo bem". Me sinto otimista por acreditar que o presente seja majoritariamente bom, e se o presente é bom, que diferença faz como as coisas foram ou como serão? Por que não embarcar nesse momento e vivê-lo com o máximo das minhas capacidades atuais?
Claro, é bem provável que a ausência de problemas maiores colabore para esse começo zen, mas a conclusão que eu chego é que ao eliminar as comparações, expectativas, e deixar de relativizar o momento, os sentimentos que sobram são muito mais genuínos e nos permitem viver de acordo com aquilo que realmente somos. Sabe aquela pessoa estressada, histérica, problemática? Talvez ela não seja exatamente o que aparenta ser, e se tiver forças para retirar um ou mais pianos de suas costas, quem sabe o que sobra também seja um sentimento bom em relação ao cotidiano.
Cabe aqui uma reflexão sobre quanto os sentimentos do dia a dia são motivados por aquilo que não está no presente, e como poderíamos ser pessoas melhores, ou ao menos mais verdadeiras, sem a nuvem do tempo pairando sobre nossas cabeças. Viver nunca será um mar de rosas, mas viver concentrado nos desafios de um único dia, pode tornar sua experiência muito mais prazerosa.
Obrigado pela leitura e feliz 2024.