Saber programar gera 10x a 100x mais valor hoje do que há 1 ano atrás.
E quanto melhor você codar, mais valor você gera.
Webdraw/Lazy/Lovable/Replit/etc dão a doce ilusão de construir software com pouco esforço, e são muito divertidas de usar. Impressionam em testes rápidos e mesmo criam soluções bestinhas de ponta a ponta. Mas o que o hype esconde é:
1. quem constrói essas ferramentas sabe construir software muito bem - e essa galera sim vai conseguir ganhar muito na tal "camada da aplicação"
2. as pessoas do (1) vão ser ~10x-100x mais rápidas pra fazer qualquer coisa que precisarem com o auxílio dessas ferramentas. "tab tab tab autocomplete" > "vibe coding"
3. passar de um site besta de input->output pra um app completo, que faz alguma coisa legal e que mereça usuários, em geral, vai te demandar colocar a mão no código. (E olha que meus projetos não são nada demais, hein...)
A boa nova é que ficou 1000x mais fácil aprender a programar com LLMs - tentem pedir "me explica o que esse código faz?" pro ChatGPT, Claude, Gemini, e vejam o quanto você aprende. É incrível!
______________________________
Estou usando a GetLazy.AI pra trabalhar em projetos pessoas de software. Eu testei usar o Cursor, alguns LLMs como assistentes, Lovable, 0x e Webdraw, mas a GetLazy (cujo CTO é brasileiro, aliás!) acertou em algumas coisas que mudam o jogo:
1. Descomplicou back-end: é muito simples fazer boa parte do feijão-com-arroz de backend aqui. A ferramenta cria base de dados pra você, toda a parafernália de acessos e, enquanto você tá no ambiente de desenvolvimento, coloca chaves de API pra tudo que você precisa (e que eles oferecem plug-and-play, claro)
2. Constrói o que você quer feature por feature: ao invés de correr pra fazer um front-end inteiro, assumindo um monte de premissas, e não fazer o back-end ou fazer algo longe do que você quer, eles entendem bem os limites dos LLMs e constróem a solução feature a feature com você, sugerindo próximos passos se necessário. Isso pode parecer mais lento no começo, mas eventualmente a virtude aparece porque o que você quer fazer de fato funciona, ao invés de ser uma casca bonita mas inerte
3. Tem suporte humano: travou em alguma parte? Não sabe como sugerir algo pro robô? O programa não está se comportando? Sem problemas! Chame o suporte, e um humano vai te ajudar - vai sugerir (ou mesmo executar) correções e mudanças, vai apontar o melhor caminho a seguir, vai te ajudar com documentação, etc. Não é instantâneo, mas está lá e já me ajudou a avançar num projetinho.
Todas as ferramentas que eu testei tem muito espaço pra melhorar, mas esses avanços da GetLazy são um salto vs todas as outras.
Os projetos que estou construindo por lá são:
1. App de gestão de projetos pra Guabi Arquitetura: criar um jeito fácil de acompanhar cada projeto e/ou obra que o escritório está cuidando, agregando informações que nenhuma outra plataforma agrega (i.e., linkar um projeto à sua documentação base, infos do cliente, e deixar fácil de rastrear o que está acontecendo no dia a dia dele).
2. Voice-to-text zettelkasten-ish: eu sou daqueles nerds que já se apaixonaram e tentaram usar zettelkasten pra fazer mapa mental da vida, e falhou. Com o tempo notei que era mais problema de ter me apaixonado pelo método ao invés do resultado - indexar e linkar pensamentos! que maravilha! Mas realmente funciona dentro de um projeto específico ao invés de pra vida.
Mas aí os LLMs facilitam muito encontrar temas no que você está anotando e sugerir conexões.
E imagina se isso puder ser quase tão rápido quanto pensar!
E daí o projeto: tomar notas falando pra um app, que vai transformá-las em texto, e gerar tags, indexação e alocar numa corrente de pensamentos de forma automática.
3. Coach de corrida AI pra quem tem hiperfoco: se você treina corrida, eventualmente se depara com a realidade de um grupo de corrida, ou mesmo de tutorias online em que alguém vai te prescrever uma planilha. Bem, a última coisa que eu queria com a corrida era entrar num grupo - correr era também tomar um tempo pra mim, sozinho, ouvindo podcast. E as planilhas de corrida são bem procedurais - elas respodem ao seu objetivo, idade, gênero e tempo disponível pro treino. As adaptações tem mais a ver com capacidade de entrega do plano, dificuldade percebida ao treinar ou alguma lesão, e vão mudar os parâmetros de distância e esforço a serem feitos a cada treino.
Ou seja, tudo muito pronto pra criar algoritmos e meter bronca!
Aí eu vi que já existe o Runna (baita app, por sinal!), mas que ele não faz algumas coisas que eu gostaria de ter:
- o que meu batimento cardíaco diz sobre minha corrida?
- o que minha variabilidade cardíaca diz sobre ela?
- como a qualidade do meu sono deveria afetar meu treino, ou a avaliação dele?
- meus níveis de preparo não poderia ajudar a iterar mais rápido as cargas de treino? Ou seja, se meu Garmin diz que meu VO2Max aumentou, meus treinos de tiro podem ficar marginalmente mais pegados, certo?
O (A) e (B) estão bem encaminhados, o (C) está preso em fase de pesquisa ainda. Mas todos parecem ter boas chances de ver a luz do dia eventualmente. Acima de tudo porque são projetos que eu quero fazer pra mim, então é quase como cozinhar uma massa à bolonhesa pra se mimar.
Vou eventualmente escrever sobre os projetos individualmente, aqui. Mas o que os três tem em comum é: fica nítido que se eu fosse melhor programador, construí-los seria ~10x mais fácil. Minhas minhas habilidades são básicas e enferrujadas, então entrar no código é custoso - mas é necessário, a cada quando. E estimo que entraria mais no código se eu soubesse programar melhor, pra aumentar a velocidade e qualidade do que construo. O lado bom é que isso me motivou a melhorar minhas habilidades de programação, e fica mais fácil (e interessante) quando é com um projeto seu.
___________________________
Tudo que está sendo falado sobre AI é sintomático das ansiedades que temos sobre nós mesmos. É também sintomático da corrida tecnológica ter como atores alguns malucos de modos fascistóides. Não é desejável que superinteligências venham ao mundo nas mãos de gente tão terrivelmente boçais, mas também não é necessário que elas sejam totalmente teleológicas e aceleracionistas em si mesmas.
O que é interessante sobre LLMs é justamente que eles parecem mudar o cerne da definição de tecnologia mais uma vez. Se ela começou como uma ferramenta para atingir um fim, se modifica para a gestell do Heidegger, a nova safra de inteligências artificiais me parece muito mais como uma paleta de possibilidades do que algo que anúncia o ser-no-mundo de antemão. Uma boa amostra é a dificuldade que temos em prever o que essas tecnologias vão fazer no mundo de forma objetiva, e a inércia em elas gerarem o valor explosivo que vem sendo anunciado já desde 2023 pelo menos.
O fato da IA agora expandir o que nós podemos fazer me parece o cerne. E ela então nos empurra pra uma diversidade de ser-no-mundo que antes não estavam disponíveis. Criar imagens, vídeos, música, software, jogos, automatizar um bocado de trabalho que antes pareciam irremediavelmente humanos (ainda que robóticos)... e colaborar pra construir mais coisas, melhores, mais rápido (ou mais devagar também, como queira).
Ao invés de me sentir num turbilhão perigoso, eu me sinto vivendo o que o Prof. Eamonn Healy profetizou na cena abaixo, de Waking Life, do Richard Linklater (ainda bem).
https://www.youtube.com/watch?v=iJHXDfVFlZs
E quanto melhor você codar, mais valor você gera.
Webdraw/Lazy/Lovable/Replit/etc dão a doce ilusão de construir software com pouco esforço, e são muito divertidas de usar. Impressionam em testes rápidos e mesmo criam soluções bestinhas de ponta a ponta. Mas o que o hype esconde é:
1. quem constrói essas ferramentas sabe construir software muito bem - e essa galera sim vai conseguir ganhar muito na tal "camada da aplicação"
2. as pessoas do (1) vão ser ~10x-100x mais rápidas pra fazer qualquer coisa que precisarem com o auxílio dessas ferramentas. "tab tab tab autocomplete" > "vibe coding"
3. passar de um site besta de input->output pra um app completo, que faz alguma coisa legal e que mereça usuários, em geral, vai te demandar colocar a mão no código. (E olha que meus projetos não são nada demais, hein...)
A boa nova é que ficou 1000x mais fácil aprender a programar com LLMs - tentem pedir "me explica o que esse código faz?" pro ChatGPT, Claude, Gemini, e vejam o quanto você aprende. É incrível!
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Estou usando a GetLazy.AI pra trabalhar em projetos pessoas de software. Eu testei usar o Cursor, alguns LLMs como assistentes, Lovable, 0x e Webdraw, mas a GetLazy (cujo CTO é brasileiro, aliás!) acertou em algumas coisas que mudam o jogo:
1. Descomplicou back-end: é muito simples fazer boa parte do feijão-com-arroz de backend aqui. A ferramenta cria base de dados pra você, toda a parafernália de acessos e, enquanto você tá no ambiente de desenvolvimento, coloca chaves de API pra tudo que você precisa (e que eles oferecem plug-and-play, claro)
2. Constrói o que você quer feature por feature: ao invés de correr pra fazer um front-end inteiro, assumindo um monte de premissas, e não fazer o back-end ou fazer algo longe do que você quer, eles entendem bem os limites dos LLMs e constróem a solução feature a feature com você, sugerindo próximos passos se necessário. Isso pode parecer mais lento no começo, mas eventualmente a virtude aparece porque o que você quer fazer de fato funciona, ao invés de ser uma casca bonita mas inerte
3. Tem suporte humano: travou em alguma parte? Não sabe como sugerir algo pro robô? O programa não está se comportando? Sem problemas! Chame o suporte, e um humano vai te ajudar - vai sugerir (ou mesmo executar) correções e mudanças, vai apontar o melhor caminho a seguir, vai te ajudar com documentação, etc. Não é instantâneo, mas está lá e já me ajudou a avançar num projetinho.
Todas as ferramentas que eu testei tem muito espaço pra melhorar, mas esses avanços da GetLazy são um salto vs todas as outras.
Os projetos que estou construindo por lá são:
1. App de gestão de projetos pra Guabi Arquitetura: criar um jeito fácil de acompanhar cada projeto e/ou obra que o escritório está cuidando, agregando informações que nenhuma outra plataforma agrega (i.e., linkar um projeto à sua documentação base, infos do cliente, e deixar fácil de rastrear o que está acontecendo no dia a dia dele).
2. Voice-to-text zettelkasten-ish: eu sou daqueles nerds que já se apaixonaram e tentaram usar zettelkasten pra fazer mapa mental da vida, e falhou. Com o tempo notei que era mais problema de ter me apaixonado pelo método ao invés do resultado - indexar e linkar pensamentos! que maravilha! Mas realmente funciona dentro de um projeto específico ao invés de pra vida.
Mas aí os LLMs facilitam muito encontrar temas no que você está anotando e sugerir conexões.
E imagina se isso puder ser quase tão rápido quanto pensar!
E daí o projeto: tomar notas falando pra um app, que vai transformá-las em texto, e gerar tags, indexação e alocar numa corrente de pensamentos de forma automática.
3. Coach de corrida AI pra quem tem hiperfoco: se você treina corrida, eventualmente se depara com a realidade de um grupo de corrida, ou mesmo de tutorias online em que alguém vai te prescrever uma planilha. Bem, a última coisa que eu queria com a corrida era entrar num grupo - correr era também tomar um tempo pra mim, sozinho, ouvindo podcast. E as planilhas de corrida são bem procedurais - elas respodem ao seu objetivo, idade, gênero e tempo disponível pro treino. As adaptações tem mais a ver com capacidade de entrega do plano, dificuldade percebida ao treinar ou alguma lesão, e vão mudar os parâmetros de distância e esforço a serem feitos a cada treino.
Ou seja, tudo muito pronto pra criar algoritmos e meter bronca!
Aí eu vi que já existe o Runna (baita app, por sinal!), mas que ele não faz algumas coisas que eu gostaria de ter:
- o que meu batimento cardíaco diz sobre minha corrida?
- o que minha variabilidade cardíaca diz sobre ela?
- como a qualidade do meu sono deveria afetar meu treino, ou a avaliação dele?
- meus níveis de preparo não poderia ajudar a iterar mais rápido as cargas de treino? Ou seja, se meu Garmin diz que meu VO2Max aumentou, meus treinos de tiro podem ficar marginalmente mais pegados, certo?
O (A) e (B) estão bem encaminhados, o (C) está preso em fase de pesquisa ainda. Mas todos parecem ter boas chances de ver a luz do dia eventualmente. Acima de tudo porque são projetos que eu quero fazer pra mim, então é quase como cozinhar uma massa à bolonhesa pra se mimar.
Vou eventualmente escrever sobre os projetos individualmente, aqui. Mas o que os três tem em comum é: fica nítido que se eu fosse melhor programador, construí-los seria ~10x mais fácil. Minhas minhas habilidades são básicas e enferrujadas, então entrar no código é custoso - mas é necessário, a cada quando. E estimo que entraria mais no código se eu soubesse programar melhor, pra aumentar a velocidade e qualidade do que construo. O lado bom é que isso me motivou a melhorar minhas habilidades de programação, e fica mais fácil (e interessante) quando é com um projeto seu.
___________________________
Tudo que está sendo falado sobre AI é sintomático das ansiedades que temos sobre nós mesmos. É também sintomático da corrida tecnológica ter como atores alguns malucos de modos fascistóides. Não é desejável que superinteligências venham ao mundo nas mãos de gente tão terrivelmente boçais, mas também não é necessário que elas sejam totalmente teleológicas e aceleracionistas em si mesmas.
O que é interessante sobre LLMs é justamente que eles parecem mudar o cerne da definição de tecnologia mais uma vez. Se ela começou como uma ferramenta para atingir um fim, se modifica para a gestell do Heidegger, a nova safra de inteligências artificiais me parece muito mais como uma paleta de possibilidades do que algo que anúncia o ser-no-mundo de antemão. Uma boa amostra é a dificuldade que temos em prever o que essas tecnologias vão fazer no mundo de forma objetiva, e a inércia em elas gerarem o valor explosivo que vem sendo anunciado já desde 2023 pelo menos.
O fato da IA agora expandir o que nós podemos fazer me parece o cerne. E ela então nos empurra pra uma diversidade de ser-no-mundo que antes não estavam disponíveis. Criar imagens, vídeos, música, software, jogos, automatizar um bocado de trabalho que antes pareciam irremediavelmente humanos (ainda que robóticos)... e colaborar pra construir mais coisas, melhores, mais rápido (ou mais devagar também, como queira).
Ao invés de me sentir num turbilhão perigoso, eu me sinto vivendo o que o Prof. Eamonn Healy profetizou na cena abaixo, de Waking Life, do Richard Linklater (ainda bem).
https://www.youtube.com/watch?v=iJHXDfVFlZs